TRADIÇÕES

 

As lendas e tradições são pérolas de um colar cultural que não pode rebentar. Fazem parte do imaginário de um povo, da sua identidade.
São elos entre o sonho e a realidade, entre o passado e o futuro. São sinónimo de inteligência e de imaginação.

Lenda de SANTA IRIA

Virgem e mártir Lusitana; festa litúrgica, em algumas dioceses portuguesas a 20 de Outubro. Não se pode discriminar a lenda e a história, no que se conta a respeito da sua vida e martírio. Segundo a legenda ainda conservada nos breviários, Iria ou Irene era filha de Hermigio e Eugénia, gente Nobre de Nabância educada em criança por duas piedosas mulheres, Casta e Julia, irmãs de seu pai, entrou depois num Mosteiro governado pelo abade Célio, irmão de sua mãe. Ali teve por mestre de letras e da vida religiosa, em que fez grandes progressos.

Era então senhor de Nabãncia o príncipe Castinaldo, casado com Cássia, os quais tinham um filho chamado Britaldo. Perto de seu palácio, havia uma Igreja dedicada a S.Pedro, que Iria costumava visitar, acompanhada de outras monjas, no dia da festa do Apóstolo. Tendo-a visto no templo, Britaldo ficou encantado da sua formosura e apaixonou-se por ela, a ponto de adoecer sabendo da doença, por divina revelação, Iria decidiu ir visitá-lo, para o dissuadir do seu amor. Britaldo acedeu, contanto que ela não consentisse em conceder a alguém o que lhe negava a ele. Iria assim prometeu e abençoando-o, restituiu-lhe a saúde. Passado dois anos, veio a apaixonar-se por ela o próprio preceptor, o monge Remígio, e como ela o repelisse, ministrou-lhe uma bebida maléfica que a fizesse aparentar gravidez.

Julgando que ela tivesse faltado ao prometido, Britaldo incumbiu um soldado de a matar. Costumava Iria ir rezar à beira do Nabão, depois de matinas. Ali a encontrou o soldado e a degolou com uma espada e atirou o cadáver ao rio, na noite de 20 de Outubro de 653. Na manhã seguinte, como Iria não aparecesse correu fama de que tinha fugido com Britaldo, mas o abade Célio, tendo revelação do acontecido, contou tudo aos monges e ao povo. Acompanhado por eles, começou a procurar o corpo da Mártir pelo Rio Nabão e pelo Zêzere e depois pelo Tejo.

Junto de Scálabis, deparou-se-lhes enfim na margem do rio, cujas águas se tinham retirado, um sepulcro de mármore em que estava milagrosamente encenado o corpo da Santa. Quiseram retirá-lo, mas não puderam, porque não tardaram a cobri-lo de novo as águas do Tejo. O caso foi tão célebre que a cidade de Scálabis passou a chama-se de Santa Irene; daqui veio o nome de Santarém . A tradição moderna acrescenta que, desejando a Rainha Santa Isabel venerar o túmulo da santa, as águas do Tejo tornaram a retirar-se, por milagre semelhante ao primeiro. E a Rainha Santa deixou assinalado o local do tumulto com um padrão que sucessivamente restaurado, ainda lá se conserva.

Nas alturas festivas, a população reúne-se em alegria e comunhão. Impera o sorriso e a vontade de celebrar. Em Santa Maria dos Olivais realizam-se a Festa Anual do Centro Cultural Desportivo e Recreativo de Minjoelho, num fim de semana de Junho, a Festa Anual do Centro Bem Estar Social Recreativo Cultural e Desportivo de Valdonas, num fim de semana de Julho, assim como a Festa Anual da Associação de Melhoramentos de Santa Marta, num fim de semana de Setembro.
0 Rancho Folclórico Os Camponeses de Minjoelho realiza todos os anos a Procissão de Santa Iria, a 20 de Outubro. A Procissão sai alternadamente ano sim, ano não, das Igrejas de Santa Maria e de São João Baptista, percorrendo várias artérias da cidade, finalizando na Ponte, em frente ao Convento de Santa Iria. Aqui decorre o tradicional lançamento de pétalas de flores para o rio Nabão. Em seguida, a imagem é recolhida na Capela do mesmo Convento.

 

Cantar liberta sentimentos recolhidos. Dançar fornece uma cor alegre à alma. As letras passam mensagens de amor ou de sonho, e as notas fluem ao sabor da voz. Os corpos materializam esperanças, normalmente afogadas nas lágrimas dos amantes. Em Santa Maria dos Olivais, os habitantes assumem de forma honesta o que sentem.

Fado do Ti' Africano
 

Os meus olhos de chorar
Fizeram covas no chão Bis
Coisa que os teus não fizeram
Não fizeram nem farão Bis


Ó minha bela menina
Ponha-se agora a chorar Bis
Quando tinha o seu amor
Soubera-se aproveitar Bis


Amor vário, amor vário
Amor das ervas do campo Bis
Já me tenho admirado
De amor vário durar tanto Bis


Ó minha bela menina
Ponha o seu amor só num Bis
Não traga todos à trela
Pode ficar sem nenhum Bis

 

Canção da Azeitona

Oliveira piquenina
Também tem piquena rama
Ai também eu, por ser piquena
Ai você a mim não m' engana

Oliveira piquenina
Que azeitona pode dar
Ai um baguinho, até dois
Ai é o muito carregar

Oliveiras, oliveiras
Ao longe são olivais
Ai quem dá confiança aos homens
Ai sempre fica dando ais

Esta noite choveu migas
Rapazes tragam colheres
Ai quem quiser saber mentiras
Ai chegue-se ao pé das mulheres

Oliveira chora, chora
Ela chora e tem razão
Ai apanharam1 lhe azeitona
Ai deitaram' lhe a rama ao chão

Apanhemos a azeitona
Que tem o azeite dentro
Ai qu' alumia toda a noite
O Santíssimo Sacramento

 

Descamisada

O meu chorar te dá pena,
O meu cantar alegria.
Andarei sempre cantando,
Chorando nem só um dia.

Amar-te não é só isso,
Tenho mais quem m' embarasse,
Há muito qu' eu era tua,
S' eu sozinha governasse.

Anda cá par' o meu peito,
Se tua vida queres teri.
O meu peito dá saúde,
A quem está para morrer.

Mata-me qu' eu morrer quero,
Na ponta da tua lança.
Não achas amor mais firme,
Apesar d' eu ser criança.

Ó comadre tu nam sabes,
Fingidos qu' os homens são.
Têm açucre nas palavras,
Vuneno no coração.

 

Uma forma de preservar a história é usando, com orgulho, trajes de épocas antigas vestidos em variadas situações. Os membros do Rancho Folclórico do Minjoelho usam-nos de forma briosa. O traje masculino de passeio conta com uma calça preta à boca de sino, um colete preto, uma camisa branca de linho, um chapéu preto de aba larga, uma cinta preta e sapatos pretos com salto de cabeleira de cabedal. O traje de trabalho feminino é composto por uma saia em lã tecida manualmente, blusa de riscado às flores, lenço de lã na cabeça envolvendo o pescoço e atando atrás, avental de peitilho e alças, riscado, tamancos nos pés e canos das meias nas pernas. O traje masculino de trabalho destaca uma calça de cotim, sapatos de cabedal, camisa de riscado com peitilho, camisa interior de algodão, cinta vermelha e barrete preto com barra vermelha. O traje de ceifeira é composto por uma saia de algodão com barra amarela tecida no tear, um avental com peitilho e alças de riscado, lenço na cabeça envolvendo o pescoço e atando atrás, blusa azul com flores, tamancos pretos, canos de meias em algodão. O traje masculino de trabalho pode ainda contar com calças e colete de cotim alpaca, camisa de duas cores em riscado, lenço tabaqueiro ao pescoço para proteger das poeiras e palhas aquando da ceifa ou na eira, sapatos de cabedal, cinta vermelha.

O traje de lavadeira tem um saiote, uma saia debaixo com recortes, uma saia de riscado puxada para cima, uma blusa de chita às flores, lenço na cabeça, tamancos, sem meias. No que diz respeito ao traje de passeio de lavrador rico usam-se calças à boca de sino, colete e jaqueta pretas de sarja, camisa branca de linho com nervuras no peitilho, sapatos pretos de cabedal com salto de prateleira, cinta preta e chapéu de aba larga preta. Por último, o traje de passeio feminino é composto por uma saia de lã cor de laranja com uma barra de 10 cm de cetim preto e debruada a preto na ponta da bainha, uma blusa branca de casquinha de ovo com bordado inglês, cabelo apanhado em forma de toutiço.

 

A capacidade de brincar deve acompanhar toda uma vida. Os momentos de riso são inolvidáveis, assim como a vontade saudável de ganhar. Por alturas das Festas dos Tabuleiros realizam-se na freguesia diversos jogos tradicionais.

Corrida de Cântaros

Neste jogo podem participar vários jogadores de ambos os sexos e de todas as idades. Geralmente jogado na altura da Páscoa, os participantes formam uma roda e passam o cântaro uns aos outros, sem o deixar cair. Quem o deixar cair cinco vezes seguidas completa a palavra "burro", uma vez que cada queda significa uma letra, e abandona o jogo.

Antigamente, jogava-se com um cântaro de barro, oferecido por uma rapariga solteira, até este se partir, o que redobrava o cuidado e a atenção.

Jogo das Cordas

Para este jogo são necessárias duas equipas. Cada equipa puxa a corda para seu lado, quem tiver mais força, ganha.
Jogo do Chinquilho

O jogo do chinquilho consiste no arremesso de uma malha de forma a derrubar um pino, que se encontra a cerca de dezoito metros de distância. Cada derrube do pino vale dois pontos, quem conseguir ter a malha mais próxima do pino obtém um ponto. O jogo termina aos vinte e quatro pontos. No entanto, durante o jogo, os participantes com menos pontuação podem impor regras, designadamente a mudança de jogo chamado "à sinca", em que o jogador pontua sem que a malha passe a linha de colocação do pino, bem como mandar a malha por baixo da perna.

Jogo do Pião

Num espaço amplo, de preferência de terra batida, fazia-se uma roda no chão e cada jogador atirava o pião para dentro dela. Enquanto o pião girava, era atingido com secas até sair da roda. O jogador só podia voltar a lançar o pião quando isto acontecia. Existia ainda outra forma de jogar: no terreno era feito um ponto de partida do jogo e noutro ponto era feita uma cova, denominada "nicha". Os jogadores dividiam-se por duas equipas: uma empurrava o pião para a nicha e a outra tentava evitá-lo. Se o pião entrasse na nicha, cada jogador da equipa perdedora teria de disponibilizar um pião para levar com as secas.

Subida do Pau Ensebado

Num terreno amplo coloca-se ao alto um pau com três ou quatro metros de altura, previamente ensebado. Os participantes terão que subir para tentar apanhar o prémio que se encontra no topo, geralmente uma peixota de bacalhau.

Corrida de Sacos

Os participantes entram num saco de serapilheira e, saltitando, procuram alcançar a meta estabelecida. Vence a corrida aquele que chegar primeiro e com menos tombos.

Os habitantes divertem-se ainda no Carregamento de Cestos, na Corrida de Pipos e Púcaros, no Corte do Tronco a Serrote ou a Machado, ou em Corridas de Burros e de Carroças.