RESENHA HISTÓRICA

Santa Maria dos Olivais é uma das duas freguesias que constituem a cidade de Tomar. Foi formada em 12 de Dezembro de 1933, tendo o Governo então liderado por Salazar desdobrado em duas aquilo que até aí era apenas a freguesia de Tomar. Ficou situada na margem esquerda do rio Nabão, enquanto que S. João Baptista ocupou a margem direita, incluindo o Mochão, no meio do rio.

     
A actual cidade de Tomar, provém de um agrupamento populacional romano, denominado Sellium. Foi no território desta antiga cidade, na margem esquerda do Nabão, que se constituiu, em 1933, a freguesia de Santa Maria dos Olivais.
Conquistada aos mouros em 1147, por D. Afonso Henriques, foi doada aos Templários doze anos depois. D. Gualdim Pais deu-lhe foral em 1162, como D. Manuel em 1510. Entretanto, já D. Dinis fundara a Ordem de Cristo em Tomar, depois do desaparecimento dos Templários. Foi elevada a cidade em 1844.
Uma história riquíssima, da qual o seu património é também privilegiado interveniente. A Igreja Paroquial de Santa Maria dos Olivais monumento nacional, construído provavelmente no século XII, embora as lendas que se geraram em seu redor tenham obscurecido um pouco a maior das certezas. Tudo indica, no entanto, que assim tenha sido, a julgar pelos túmulos dos primeiros mestres da Ordem dos Templários, de Gualdim Pais a D. Lourenço Martins.

É exequível, ainda, que a igreja tivesse começado por ser uma clausura de frades daquela Ordem, e que aqui se tivesse inaugurado a sede inicial da mesma.

Toda a igreja sofreu, desde a sua construção, uma remodelação total. O mesmo aconteceu com o espaço envolvente. A ermida de S. Miguel, a de Santa Maria Madalena e a de S. Pedro Fins, que lhe ficavam em frente e ao lado, desapareceram. O templo tornou-se como que mais amplo, porque já não o afogavam tantas construções.

A Igreja do Convento de Santa Iria apresenta também elementos de grande importância histórica e artística, como a porta de entrada e a capela fronteira à mesma, consideradas imóvel de interesse público. Do convento, pouco resta hoje em dia: uma fachada metida no rio, onde se pode ver um símbolo agrícola, o nicho de Santa Iria e o arco que se abre à entrada da rua do mesmo nome.

A capela, aberta anualmente no dia dedicado à padroeira (20 de Outubro), foi construída no século XVI. Seguindo as características da renascença coimbrã, é notável pelo seu belo retábulo, que representa Cristo crucificado, rodeado de dezanove figuras e da imagem de Santa Iria.

Refere o "Inventário Artístico de Portugal" em relação à fundação do Convento: "O que subsiste da vetusta clausura que é legítimo supor precedesse a fundação do castelo dos Templários, pela anterior integração tradicional na lenda de Santa Iria, além do templo totalmente transfigurado no quinhentismo, e dos restos do mosteiro, da mesma forma transformado por sucessivas obras, é, possivelmente, o Pego, que marca a génese da lenda e onde, num nicho, se abriga a imagem da santa. (...) A clausura de Santa Iria foi fundada por Mécia Vaz de Queirós, viúva de Pedro Vaz de Almeida, vedor do Infante D. Henrique, em 1523, que nela se recolheu com as suas filhas"

A IGREJA MATRIZ

Toda a igreja sofreu, desde a sua construção, uma remodelação total. O mesmo aconteceu com o espaço envolvente. A ermida de S. Miguel, a de Santa Maria Madalena e a de S. Pedro Fins, que lhe ficavam em frente e ao lado, desapareceram. O templo tornou-se como que mais amplo, porque já não o afogavam tantas construções.

Em relação à igreja, foi reparada a pedraria do pórtico, desentaipada a fachada norte, suprimido o coro e alguns altares pouco importantes. Arranjou-se a capela-mor e as naves, deu-se ao templo um toque de antiguidade, mantiveram-se algumas das obras iniciadas por D. Manuel e terminadas por D. João III. Ao invés, trabalhos quinhentistas tiveram uma acção nefasta, destruindo a maioria das pedras tumulares e das epigrafias, talvez vinte e duas (só restaram quatro).

A fachada principal da igreja, marcada por três corpos, ostenta uma imponência arquitectónica invejável. O corpo central, firmado entre dois outros, maiores, apresenta um pórtico formado por arquivoltas assentes em capitéis rudes. Ao alto, um Signo Saimão, presidindo ao conjunto, uma ampla rosácea de doze folhas trilobadas. Nos corpos laterais, rasgam-se duas janelas trilobadas de duplo espelho. Interiormente, o templo tem três naves em cinco tramos, com os arcos erguendo-se de feixes de colunas de secção poligonal. Tecto em madeira e ligação da ousia à nave sem transepto. Sobre a empena alta do arco mestre, um espelho que sugere uma suástica


Da capela-mor, escolhemos como ponto de destaque a bela imagem da Senhora da Anunciação. É uma escultura de pedra poli cromada, quinhentista, em tamanho (1,680 metros). Embutida na parede do Evangelho, o mausoléu de D. Diogo Pilheiro, bispo do Funchal. Profusamente de do, tem a data de 1525 no arco da edícula.


As capelas laterais do lado da epístola têm os altares revestidos de azulejos face dos frontais. Abrem para a nave por arcos quinhentistas de pedraria. Quanto as duas capelas colaterais, são também revestidas a azulejos seiscentistas.

Uma igreja, em suma, que é um orgulho para todos os tomarenses. Como bem demonstrava o n.° 0 do Boletim Informativo da Junta de Freguesia: "Primeira sede de Freguesia, tornada matriz de todas as igrejas de África, Ásia e das Américas, na época dos descobrimentos; a capelinha que aí existia foi mais tarde ampliada e reconstruída, conservando no entanto, uma bela fachada gótica, a enorme rosácea, com o signus salomonis, símbolo dos cavaleiros templários e o seu famoso panteão".