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A actual cidade de Tomar, provém de um agrupamento
populacional romano, denominado Sellium. Foi no
território desta antiga cidade, na margem esquerda do
Nabão, que se constituiu, em 1933, a freguesia de Santa
Maria dos Olivais.
Conquistada aos mouros em 1147, por D. Afonso Henriques,
foi doada aos Templários doze anos depois. D. Gualdim
Pais deu-lhe foral em 1162, como D. Manuel em 1510.
Entretanto, já D. Dinis fundara a Ordem de Cristo em
Tomar, depois do desaparecimento dos Templários. Foi
elevada a cidade em 1844.
Uma história riquíssima, da qual o seu património é
também privilegiado interveniente. A Igreja Paroquial de
Santa Maria dos Olivais monumento nacional, construído
provavelmente no século XII, embora as lendas que se
geraram em seu redor tenham obscurecido um pouco a maior
das certezas. Tudo indica, no entanto, que assim tenha
sido, a julgar pelos túmulos dos primeiros mestres da
Ordem dos Templários, de Gualdim Pais a D. Lourenço
Martins.
É exequível, ainda, que a igreja tivesse começado por
ser uma clausura de frades daquela Ordem, e que aqui se
tivesse inaugurado a sede inicial da mesma.
Toda a igreja sofreu, desde a sua construção, uma
remodelação total. O mesmo aconteceu com o espaço
envolvente. A ermida de S. Miguel, a de Santa Maria
Madalena e a de S. Pedro Fins, que lhe ficavam em frente
e ao lado, desapareceram. O templo tornou-se como que
mais amplo, porque já não o afogavam tantas construções.
A Igreja do Convento de Santa Iria apresenta também
elementos de grande importância histórica e artística,
como a porta de entrada e a capela fronteira à mesma,
consideradas imóvel de interesse público. Do convento,
pouco resta hoje em dia: uma fachada metida no rio, onde
se pode ver um símbolo agrícola, o nicho de Santa Iria e
o arco que se abre à entrada da rua do mesmo nome.
A capela, aberta anualmente no dia dedicado à padroeira
(20 de Outubro), foi construída no século XVI. Seguindo
as características da renascença coimbrã, é notável pelo
seu belo retábulo, que representa Cristo crucificado,
rodeado de dezanove figuras e da imagem de Santa Iria.
Refere o "Inventário Artístico de Portugal" em relação à
fundação do Convento: "O que subsiste da vetusta
clausura que é legítimo supor precedesse a fundação do
castelo dos Templários, pela anterior integração
tradicional na lenda de Santa Iria, além do templo
totalmente transfigurado no quinhentismo, e dos restos
do mosteiro, da mesma forma transformado por sucessivas
obras, é, possivelmente, o Pego, que marca a génese da
lenda e onde, num nicho, se abriga a imagem da santa.
(...) A clausura de Santa Iria foi fundada por Mécia Vaz
de Queirós, viúva de Pedro Vaz de Almeida, vedor do
Infante D. Henrique, em 1523, que nela se recolheu com
as suas filhas"
A IGREJA MATRIZ
Toda a igreja sofreu, desde a sua
construção, uma remodelação total. O mesmo aconteceu com
o espaço envolvente. A ermida de S. Miguel, a de Santa
Maria Madalena e a de S. Pedro Fins, que lhe ficavam em
frente e ao lado, desapareceram. O templo tornou-se como
que mais amplo, porque já não o afogavam tantas
construções.
Em relação à igreja, foi reparada a pedraria do pórtico,
desentaipada a fachada norte, suprimido o coro e alguns
altares pouco importantes. Arranjou-se a capela-mor e as
naves, deu-se ao templo um toque de antiguidade,
mantiveram-se algumas das obras iniciadas por D. Manuel
e terminadas por D. João III. Ao invés, trabalhos
quinhentistas tiveram uma acção nefasta, destruindo a
maioria das pedras tumulares e das epigrafias, talvez
vinte e duas (só restaram quatro).
A fachada principal da igreja, marcada por três corpos,
ostenta uma imponência arquitectónica invejável. O corpo
central, firmado entre dois outros, maiores, apresenta
um pórtico formado por arquivoltas assentes em capitéis
rudes. Ao alto, um Signo Saimão, presidindo ao conjunto,
uma ampla rosácea de doze folhas trilobadas. Nos corpos
laterais, rasgam-se duas janelas trilobadas de duplo
espelho. Interiormente, o templo tem três naves em cinco
tramos, com os arcos erguendo-se de feixes de colunas de
secção poligonal. Tecto em madeira e ligação da ousia à
nave sem transepto. Sobre a empena alta do arco mestre,
um espelho que sugere uma suástica
Da capela-mor, escolhemos como ponto de destaque a bela
imagem da Senhora da Anunciação. É uma escultura de
pedra poli cromada, quinhentista, em tamanho (1,680
metros). Embutida na parede do Evangelho, o mausoléu de
D. Diogo Pilheiro, bispo do Funchal. Profusamente de do,
tem a data de 1525 no arco da edícula.
As capelas laterais do lado da epístola têm os altares
revestidos de azulejos face dos frontais. Abrem para a
nave por arcos quinhentistas de pedraria. Quanto as duas
capelas colaterais, são também revestidas a azulejos
seiscentistas.
Uma igreja, em suma, que é um orgulho para todos os
tomarenses. Como bem demonstrava o n.° 0 do Boletim
Informativo da Junta de Freguesia: "Primeira sede de
Freguesia, tornada matriz de todas as igrejas de África,
Ásia e das Américas, na época dos descobrimentos; a
capelinha que aí existia foi mais tarde ampliada e
reconstruída, conservando no entanto, uma bela fachada
gótica, a enorme rosácea, com o signus salomonis,
símbolo dos cavaleiros templários e o seu famoso
panteão".
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