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Não há um
empresário agrícola meiaviense rico, mas há óptimos músicos.
Não há um empresário industrial meiaviense rico, mas há bons
cantores, bons jogadores de cartas e também bons dirigentes
associativos.
Não há um empresário dos serviços meiaviense rico, mas há bons
actores teatrais e até bons dançarinos.
Há sobretudo gente, muita gente que trabalha e sorri, irradiando
alegria de viver e prazer em ser meiaviense.
É esta gente, laboriosa e risonha, sem complexos ou preconceitos,
que faz reviver anualmente, no final da Primavera, em apenas três
dias, a representação de milhares de anos, confinados nos
tradicionais festejos do Divino Espírito Santo, onde se incluí por
adaptada, a tradição pagã do sacrifício do boi danado.
No entanto, a alegria meiaviense não se esgota em três curtos
dias, como se de qualquer Carnaval se tratasse.
A alegria é permanente, como é a vontade de viver tão própria dos
meiavienses, que a fazem, prolongar por todo o ano.
São bailes e bailaricos, são marchas populares, são arruadas da
banda filarmónica, são teatros e récitas, são concertos musicais,
são jogos de futebol, são soltas de pombos, são noites de fados, é
uma boa, deliciosa e agradável conversa de café, é o prazer de
viver a noite e saborear suavemente o presente, sem preocupações
muito para além do dia seguinte, que a todos exige oito horas de
trabalho produtivo.
Quem ler estas linhas, à luz dos valores do materialismo vigentes,
pensará, eventualmente, que os meiavienses são um povo algo
irresponsável.
Nada mais errado. Os meiavienses -são assim mesmo. É assim a Meia
Via, terra onde há muita alegria mas não há ricos nem pobres,
desemprego ou miséria e onde a Cultura, o Desporto e o Lazer têm
prioridade.
Podem os meiavienses continuar alegres porque souberam, ao longo
de séculos, ser responsáveis e altivos ao salvaguardarem as sua
longínquas tradições e criarem as instituições que detêm e lhe
servem de instrumento gregário na sua vivência quotidiana.
São exemplos dessas instituições-instrumento, os tradicionais
festejos do Divino Espírito Santo e o Centro Social do mesmo nome,
a Sociedade Filarmónica Euterpe Meiaviense, o Clube Desportivo
Operário Meiaviense, a Sociedade Columbófila Meiaviense e a
iniciativa dos meiavienses na fundação da Reserva de Caça
Associativa Santisalva.
Sempre assim foi e há-de ser. A Meia Via e os meiavienses são
diferentes. Têm vida e cultura próprias que os distingue de outras
terras e lugares, mesmo quando estas fazem parte da actual
freguesia de Santiago. Por tudo isto se pode clamar que já é dia
da Meia Via ser freguesia. |