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As origens desta vila antiga e
senhora dos mais férteis campos ribatejanos é explicada
pelos velhos coreógrafos portugueses como tendo nascido
do esforço de uma única mulher, que vinda da Galiza, no
tempo dos primeiros reis, aqui terá fundado uma
estalagem ou pousada de viandantes, aproveitando assim a
situação privilegiada desta terra junto à Estrada Real.
A estalagem rapidamente terá
prosperado e ganho prestígio em toda a região, passando
a ser conhecida como a "Venda da Galega", expressão que
a metamorfose do tempo levaria a transformar-se em "Vila
Galega", acabando mesmo por gerar definitivamente, num
período muito mais tardio, o topónimo "Golegã", nome que
chegaria aos nossos dias.
Lenda ou verdade histórica? 0 Brasão
oficial antigo confirma com símbolos, tão simples como
expressivos, esta origem etimológica: mostra, num campo
verde (que representa a fertilidade do solo), a bela
mulher galega que um dia decidiu abrir uma estalagem
nesta terra e o seu canjirão (vasilha grande, com bico,
usada para o vinho) de taberneira pendente na mão
direita. Durante os primeiros séculos da Monarquia, a
Golegã transformou-se num povoado de relativa
importância, assumindo grande protagonismo na região em
finais do século XV. Durante o reinado de D. Manuel, a
corte portuguesa tinha o hábito de passar o período
estival em Almeirim, o que levou os expeditos
Goleganenses a estabelecer boas relações comerciais com
o povoado vizinho.
Assim, Almeirim passou a ser um
mercado privilegiado para o escoamento dos produtos
agrícolas produzidos na antiga "Vila Galega", que nunca
deixou de abastecer, de forma farta e lucrativa, a
família real durante o curto veraneio da corte.
Foi durante um desses períodos de
veraneio - num dos primeiros anos do século XVI - que o
rei "Venturoso" visitou a Golegã, onde se deparou com
grandes festas e aclamações, uma vez que o povo tinha
sido prevenido de antemão de tão real visita. Admirado
com tal recepção e euforia popular, o rei percorreu
placidamente a localidade, dando-se conta que a pobre
ermida, onde funcionavam os serviços paroquiais, era
insuficiente para abrigar a população que crescia demo
graficamente de uma forma significativa. Findas as suas
orações na humilde ermida, a real personagem anunciou o
propósito de mandar edificar, para substituir o pequeno
templo, uma igreja que deveras estimulasse a fé que a
Deus e si próprio era devida.
E a promessa não seria em vão... os
trabalhos principiaram logo que Diogo Boytac, que na
época enobrecia a arte portuguesa, concluiu a traça
idealizada pelo monarca. Assim, entre Santarém e Tomar
nasceria um novo monumento que honraria toda a terra
ribatejana
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