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O território que actualmente
constitui a freguesia foi habitado desde épocas remotas,
como se comprova pelos vestígios arqueológicos aqui
encontrados. Com efeito, na região foram achados
numerosos vestígios arqueológicos referentes à
pré-história e à ocupação romana. Mas nem sempre o local
desta vila terá sido o mesmo. Tudo indica que
inicialmente se desenvolveu em volta do seu castelo
maciço na Serra da Ladeira, hoje Castro de São Miguel,
pois ainda há em redor dele restos de antigas
construções ciclópicas. Aqui foi encontrado um amplo
espólio constituído por mós manuais, lanças de falso
alvado, uma falcata, machados, alviões, uma placa de
cobre gravada e cerâmica avulsa. Outro local escolhido
pelos povos pré-históricos foi o sopé da Serra da
Ladeira do lado nascente, onde foram encontrados
diversos vestígios romanos, como uma pia baptismal, duas
barras de estanho, um forno, uma calçada, bolas de pez,
vasos de barro, telhas, colunas de cantaria, louças
sepulcrais com inscrições, anilhas e moedas. Nesta
época, foi descoberto um pequeno troço de via Romana nos
Cabeceiros, vinda provavelmente da Egitânea.
De 1165 a 1174, Amêndoa pertenceu aos Templários por
doação de D. Afonso Henriques. No livro dos Mestrados
existente na Torre do Tombo, consta a doação de toda uma
aldeia feita em 1200 aos Templários por Pero Gonçalves e
a sua mulher. É natural que tenha sido a área que ainda
hoje é denominada de Aldeia de Pero-Gonçalves. Nesta
altura, a vila tinha dois juízes ordinários, um
procurador do concelho, um escrivão, e uma companhia de
ordenanças. Em 1231 foi transferida a sua posse para a
Ordem de Malta e, na questão travada entre a Coroa e a
Ordem de Malta declara-se que em Amêndoa havia juízes e
almotacés, e toda a jurisdição própria de uma vila,
recebendo todas as rendas e direitos reais, que os
mesmos juízes davam para o Prior, e deste para El-Rei.
Por carta de 3 de Maio de 1372, doou D. Fernando a
Afonso Fernandes de Lacerda todas as jurisdições de
metade de Amêndoa.
Em 1514 D. Manuel fez desta povoação uma Comenda da
Ordem de Cristo — a Comenda de Santa Maria de Amêndoa,
tendo por alcaides-mores os Marqueses de Fontes e depois
os de Abrantes. Em 1527, realizou-se o primeiro
“Recenseamento Geral da População à Freguesia de
Amêndoa”, por ordem de D. João III. Registou-se então um
total de trinta e seis fogos e uma população de cento e
sessenta e dois habitantes.
Em 1826, após ter sido concelho durante seiscentos anos,
Amêndoa desceu à categoria de freguesia, sendo integrada
no concelho de Vila de Rei. Assim permaneceu até 1878,
ano em que passou a fazer parte do concelho de Mação.
Segundo a opinião de alguns autores, esta vila ter-se-á
chamado Luz, vocábulo fenício que quer dizer Amêndoa.
São Jerónimo refere que os fenícios davam às terras o
nome dos frutos que lá abundavam, para assim as poderem
distinguir. Ao chegarem a esta povoação deram o nome de
Lusitânia, cujo significado é terra de amendoeiras,
justificado pelo facto de ali existirem muitas árvores
desse fruto. Mais tarde, os romanos chamaram-lhe
Amíndula.
A vasta toponímica dos lugares desta freguesia é de
origem bastante clara. Assim: Pé da Serra significa
Junto à Serra; Revelha, muito velha; Pero-Gonçalves,
nome do possuidor das terras; Martinzes, plural popular
de Martins, apelido da família que em 1527 tinha estas
terras; Chão da Bica, terreno plano perto de uma fonte;
Chão de Lopes Pequeno, nome do possuidor; Chão de Lopes
Grande, por oposição ao pequeno; Robalo, nome do
detentora da terra; Palheirinhos, pequenas casa onde se
guarda palha; Monte Fundeiro, devido a acidente
topográfico; Hortinha, diminutivo de horta; Granja,
quinta; Gargantada, desfiladeiro entre montanhas; Cabo,
remate topográfico; Vinha-Velha, derivado da cultura
vegetal ali praticada; e Aldeia de Eiras, próximo de
eiras.
O orago desta acolhedora freguesia é Nossa Senhora da
Conceição, cuja festa se celebra no dia 8 de Dezembro. O
dogma da Imaculada Conceição de Nossa Senhora foi
proclamado pelo Papa Pio IX, em 1854, com a Bula
Ineffabilis Deus, atendendo aos anseios mais profundos
de toda a Igreja. Quatro anos após esta proclamação,
Maria Santíssima apareceu a Bernardette Soubirous
dizendo “Eu sou a Imaculada Conceição”. Em Portugal, o
culto foi oficializado por D. João IV em 1640.
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