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POPULAÇÃO |
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Segundo os dados fornecidos pelos
Censos 2001, a freguesia de Amêndoa acolhe 1408
habitantes, dos quais 712 são eleitores recenseados.
Tendo por base de comparação os dados demográficos do
século XIX, a freguesia registou um progressivo aumento
de população: em 1801 tinha 971 indivíduos, em 1849
acolhia 1125, e em 2001 contou 1408 residentes.
Actualmente, cerca de 10% dos habitantes são crianças e
jovens menores de quinze anos, correspondendo 35% aos
adultos em idade activa. Relativamente aos idosos,
representam a maior percentagem da composição
populacional, com 55%.
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DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO E SOCIAL |
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Alguns dos habitantes da freguesia de
Amêndoa ainda centram as suas actividades económicas no
sector primário, nomeadamente na agricultura e na
pecuária. A actividade agrícola caracteriza-se pelo
cultivo de produtos hortícolas, como batata, couve,
cebola, alface, milho, feijão e favas. A pecuária, com a
criação de ovelhas, cabras e porcos, é uma actividade de
grande importância, uma vez que dela depende a indústria
de transformação de carnes, em evolução nesta
localidade. De facto, o sector secundário está em
desenvolvimento, encontrando-se representado pelas
indústrias de serração de madeiras e a de transformação
de carnes, como as mais importantes. A primeira
referência à indústria de salsicharia na freguesia de
Amêndoa é de finais do século XIX. Nesta altura, na
povoação de Martinzes, desenvolveu-se uma actividade
salsicheira sazonal e bastante artesanal, que veio a
originar outras fábricas na freguesia e até em Castelo
Branco, local para onde alguns filhos de Martinzes
transferiram a sua actividade iniciada na terra natal.
Naquele tempo não existiam as raças melhoradas, nem
engordas industriais de que agora se dispõe. Os porcos
alentejanos eram criados nos montes, para depois
abastecerem os matadouros para fabrico de salsicharia.
Estes porcos seguiam a pé desde a estação da Barca da
Amieira até aos Martinzes. Apesar da pobreza da região,
criavam-se em todas as casas um ou mais porcos que
faziam o aproveitamento das “lavaduras” (restos de
comida, farelo, hortaliças e frutos). Quase todos os
habitantes faziam a matança do porco, realizada nos dias
frios de Inverno. Além da carne fresca que era retirada
do porco, restava ainda muita para o fabrico dos
enchidos, que se fumavam na lareira e se conservavam em
azeite. As pernas eram geralmente salgadas para obter
presuntos. Foi assim que nasceu a industria do presunto
que, na década de 40 e 60 do século XX, se notabilizou
no concelho de Mação com largas dezenas de fabricantes.
Nesta altura ainda era uma actividade sazonal e
artesanal, até que, na década de 60, a chegada da rede
eléctrica provocou a modernização e expansão da
produção. Os pequenos salsicheiros não acompanharam a
evolução e desistiram, os salsicheiros resistentes
passaram a dedicar-se quase exclusivamente ao presunto.
Actualmente, as industrias de presunto são de produção
anual e contínua e não dependem das estações do ano. As
tecnologias trouxeram a possibilidade de conseguir, com
as câmaras de cura, climas controlados que reproduzem as
temperaturas desejadas.
Por último, o sector terciário da freguesia de Amêndoa
encontra-se representado pelo comércio tradicional
alimentar, não alimentar a retalho e por
estabelecimentos de restauração.
Os serviços de índole social estão a cargo da Casa do
povo da freguesia de Amêndoa.
Casa do Povo de Amêndoa
Rua das Escolas
Amêndoa
Tel: 274877138
Na área da Saúde, os habitantes da freguesia de Amêndoa
têm à disposição uma Extensão do Centro de Saúde de
Mação. No caso de necessitarem fazer análises clínicas
têm que se deslocar ao Laboratório de Castelo Branco.
Extensão do Centro de Saúde
Amêndoa
Tel: 241866135
O campo escolar desta freguesia é composto por um Jardim
de Infância e duas Escolas de Ensino Básico do Primeiro
Ciclo.
Jardim de Infância de Amêndoa
Amêndoa
Tel: 274877149
Escola de Ensino Básico do Primeiro Ciclo de Amêndoa
Amêndoa
Tel: 274877198
Escola de Ensino Básico do Primeiro Ciclo de Chão de
Lopes
Chão de Lopes
Amêndoa
Tel: 241598500
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PATRIMÓNIO E TURISMO |
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O associativismo de Amêndoa está
representado por cinco colectividades que, de diferentes
formas, procuram preservar e divulgar a cultura local:
Centro Popular de Trabalhadores de Amêndoa (os
Cruzeiros)
Grupo Musical Amendoense
Amêndoa
Tel: 241572291
Associação Cultural e Recreativa de Chão de Lopes
Grande
Chão de Lopes Grande
Amêndoa
Tel: 241598007
Ares do Pinhal — Associação de Recuperação de
Toxicodependentes
Aldeia de Eiras
Amêndoa
Tel: 241598197
Associação Desportiva Recreativa e Cultural da Serra
do Santo
Amêndoa
Ao nível da restauração, o turista poderá a ficar a
gastronomia típica da região nos restaurantes e cafés
que proliferam na freguesia.
Acessível através da Estrada Nacional 244, a bonita
freguesia de Amêndoa é detentora de um interessante
património natural, arquitectónico e arqueológico, do
qual se destaca:
Igreja Matriz
A actual Igreja Matriz, dedicada a Nossa Senhora da
Conceição, começou a ser edificada em 1978 e foi
inaugurada em 30 de Abril de 1988 pelo senhor Bispo da
Diocese de Portalegre e Castelo Branco, D. Augusto
César. Este templo veio substituir outro, já existente
no século XIII e que já se encontra referido no
“Catálogo de todas as Igrejas de Portugal no ano de
1320”. No seu interior, de três amplas naves com tramos
preenchidos por arcaria, destaca-se uma pintura sobre
tela da segunda metade do século XVIII representando São
Miguel; um prato de ofertas, de latão e com inscrição
gótica, do século XVI ou XVII; e um valioso cadeirão de
braços, em madeira do Brasil, com costas e fundo de
couro lavrado e pés torneados e, gravado no espaldar, o
brasão dos Costas.
Da primitiva igreja apenas se conserva a torre.
Capela de Nossa Senhora da Gargantada
Capela de Santa Margarida
Localizada na Aldeia de Eiras, esta Capela tem exposta
ao culto uma imagem de Nossa Senhora de Fátima.
Capela de Santo António
A Capela de Santo António, localizada na povoação de
Martinzes, além da imagem de Santo António, tem ainda a
de Santo Antão, padroeiro dos salsicheiros.
Capela de Santo Isidro
Esta Capela, dedicada a Santo Isidro, o Lavrador,
situa-se em Chão de Lopes.
Capela do Espírito Santo
A Capela dedicada ao Espírito Santo está situada junto
ao Cruzeiro e Amêndoa.
Capela de Santa Maria Madalena
Esta Capela tem como padroeira Santa Maria Madalena.
Encontra-se a 1,5 Km da estrada que segue para Cardigos.
Cruzeiro
Castro de São Miguel
O Castro de São Miguel foi construído na idade do Ferro,
entre IV e I a.C., em local que teria sido habitado
desde 2000 a.C. Este povoado, de espessas muralhas,
define vários recintos defensivos. Apresenta uma
estrutura quadrangular, com uma muralha externa
irregular e com estruturas habitacionais rectangulares.
Na sua arquitectura geral é possível identificar duas
fases principais de ocupação: a primeira corresponde à
construção e habitação da cidadela e a segunda, à
muralha exterior.
Com as prospecções realizadas neste local foi descoberto
um diverso espólio, destacando-se utensílios em pedra
polida, mós, cossoiros, objectos em cerâmica, objectos
de adorno e fragmentos de armas e utensílios em ferro.
Sobre este castro, o Padre Henrique Louro escreveu o
seguinte na sua “Monografia de Cardigos”: «O castro
conserva ainda restos de muralha de pedra seca, o que
acusa construção celta. São visíveis dezenas de assentos
de casas quadradas e rectangulares. Na construção das
suas paredes já foi empregado o barro. Quase toda a
pedra tem notável quantidade de ferro... O castellum
circunda o pico mais elevado da serra, que ali tem a
altitude de 493 metros. O enorme rectângulo que conserva
ainda, a pequena altura, quase toda a parede, que mede a
espessura de 1,75 metros. Também nesta se não descobrem
vestígios de barro ou argamassa. Pelo norte esta
fortaleza era inexperfurável, devido ao rápido declive
da montanha.»
Povoados Fortificados
Em Vale da Moura existe um povoado com restos de muros
de pedra seca, que se reporta à Idade do Ferro.
Vestígios de outra fortificação foram descobertos no
cimo da montanha a sudoeste da vila de Amêndoa. Este
local é denominado Castelo dos Palheirinhos.
Anta
Este vestígio arqueológico encontra-se no Cabeço das
Penedentes. Reporta-se à época do Neo-Calcolítico. No
mesmo local foram também encontrados uma enxó, um punhal
de silex, um vaso de barro e uma placa de xisto.
Villa Romana
No território da freguesia foram encontrados mosaicos,
cerâmica de construção e doméstica, inscrições e moedas
que indiciam a existência de uma villa romana neste
local.
Serra da Gargantada
A Serra da Gargantada constitui o ponto mais alto da
freguesia de Amêndoa, tendo uma altura de 432 metros.
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TRADIÇÕES |
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As tradições e a cultura popular de
um povo constituem uma grande riqueza e um importante
factor de caracterização de uma região. A freguesia de
Amêndoa não é excepção, e as suas gentes preservam com
orgulho a Lenda e as Quadras que falam da sua terra.
Lenda da Dama do Pé de Cabra
A Dama do Pé de Cabra é uma lenda bastante conhecida na
literatura portuguesa, mas a da Amêndoa reveste-se de
tais particularidades que a torna muito própria. Reza a
lenda que estava um dia toda a gente da terra na Igreja
da Amêndoa a assistir à missa quando lá entrou uma dama
de rara beleza. Enquanto lá esteve, os crentes não
tiravam os olhos dela, descurando assim a devida atenção
à celebração que se realizava. Até que, no meio desta,
ela se levantou e saiu, e as pessoas que se encontravam
dentro do templo seguiram-na, ficando apenas sete. As
outras foram com ela até Ponte de Sor, e ali repararam
que ela tinha pés de cabra. As pessoas não mais a
seguiram, mas ali ficaram a viver. As setes pessoas que
permaneceram na igreja a assistir à missa eram cristãs
verdadeiras e, segundo a tradição, foram os primeiros
habitantes da Amêndoa e, consequentemente, os
antepassados dos Amíndulenses de hoje.
Quadras de Amêndoa
Subi ao alto daquele cruzeiro
Nunca tão alto me vi
Pois foi mesmo em Amêndoa
Que te conheci.
Dentro da vila de Amêndoa
Tenho eu quem me quer bem
É o Senhor da Agonia,
Não penses que há mais alguém.
Adeus ó vila de Amêndoa
Cercada de olivais e pinhais
Tens rapazes bonitos
E raparigas muito mais.
Adeus ó vila de Amêndoa
Tens mais valor
Já tens duas taças ganhas
Pelo mesmo corredor.
Adeus ó vila de Amêndoa
Tens duas coisas que te dão graça
É o relógio da torre
E a fonte na praça.
Adeus ó vila de Amêndoa
Cercada de pedra mole
Tens rapazes bonitos
E raparigas como o sol.
Adeus ó vila de Amêndoa
Adeus ó amendoim
Nela se anda a criar
Um rapaz que é para mim.
Durante todo o ano, na freguesia de Amêndoa, realizam-se
diversas festas e romarias, organizadas quase sempre
pelas associações ou colectividades existentes na
localidade. Estas festividades são características do
carácter religioso destas gentes, mas também do seu
espírito convivente e de camaradagem, uma vez que todas
as festas têm o seu lado profano, com bailes e comes e
bebes. Esta animação é, então, vivida nas seguintes
romarias: Santa Cruz, no primeiro Domingo de Maio, com a
duração de dois dias; Santo Isidro, no Domingo mais
próximo do 15 de Agosto, em Chão de Lopes, durante dois
ou três dias; Nossa Senhora da Gargantada, no fim de
semana da Páscoa, com a duração de três dias; Santo
António, em Martinzes, no fim de semana mais próximo do
dia 13 de Junho, com a duração de dois dias; Festa do
Espírito Santo, em Amêndoa, no mês de Maio ou Junho, com
a duração de dois dias; e Festa da Santa Maria Madalena,
em Setembro, durante dois dias.
Além destas festas, na freguesia de Amêndoa realiza-se
anualmente, no primeiro Domingo de Agosto, uma Feira,
atraindo à terra muitos compradores. Aos Domingos tem
lugar um mercado semanal.
Os Amíndulenses ainda hoje mantêm o costume de praticar
jogos tradicionais nos seus tempos livres, com destaque
para o Jogo do Chinquilho e da Malha.
Jogo do Chinquilho
O jogo do chinquilho consiste no arremesso de uma malha
de forma a derrubar um pino, que se encontra a cerca de
dezoito metros de distância. Cada derrube do pino vale
dois pontos, quem conseguir ter a malha mais próxima do
pino obtém um ponto. O jogo termina aos vinte e quatro
pontos. No entanto, durante o jogo, os participantes com
menos pontuação podem impôr regras, designadamente a
mudança de jogo chamado “à sinca”, em que o jogador
pontua sem que a malha passe a linha de colocação do
pino, bem como mandar a malha por baixo da perna.
Jogo da Malha
A Malha deve jogar-se à distância oficial de vinte e
cinco metros, as equipas são sorteadas quinze minutos
antes do início do jogo e começa o jogo a equipa que
tiver sido seleccionada em primeiro lugar. As equipas
mudam de campo sempre que se iniciar uma nova partida.
As segunda e terceira partidas são começadas pela equipa
que perdeu a anterior. Cada jogo termina quando são
completadas três partidas.
A pontuação distribui-se da seguinte forma: são contados
seis pontos para cada derrube de pinoco; após quatro
lançamentos, contam-se três pontos para a equipa que
tiver a malha mais próxima do pinoco; de cada vez que se
vencer uma partida contam-se três pontos.
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GASTRONOMIA |
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A freguesia de Amêndoa é possuidora
de uma saborosa gastronomia que certamente irá agradar a
todos aqueles que a decidirem provar. Assim sendo, nos
restaurantes da localidade o turista poderá encontrar os
tradicionais Maranhos e as Morcelas de Arroz.
Maranhos
Ingredientes:
500 g de cabrito (perna)
1 bucho de carneiro
50 g de chouriço
180 g de arroz
1 dl de vinho branco
1 ramo de hortelã
sal
pimenta
água
Preparação:
Depois de lavar muito bem o bucho, mergulhe-o em água a
ferver e raspe-o até ficar completamente limpo. Volte a
lavá-lo em água fria e corte-o em quadradinhos de 10
centímetros. Com uma agulha e com fio de cozinha, cosa
os pedacinhos de bucho de modo a formar saquinhos.
Entretanto, corte as carnes aos bocadinhos, tempere com
sal, hortelã, um pouco de água, pimenta e um pouco de
vinho branco. Às carnes junte o arroz cru e misture
muito bem. Deixe repousar cerca de duas horas. Encha os
saquinhos com a mistura e, depois de cheios, cosa a
abertura com agulha e linha.
Leve os saquinhos a cozer numa panela com água, sal e
hortelã.
Quando estiverem douradinhos e cheios, significa que
estão cozidos.
Sirva com couves cozidas.
Morcelas de Arroz
Ingredientes:
sangue fresco de porco
sal
pimenta
vinagre
vinho tinto
entremeada de porco
alho
louro
cebola
salsa
cominhos
cravinhos
arroz
Preparação:
Tempera-se o sangue de porco com sal e pimenta, e
dilui-se em vinagre e vinho tinto. Junta-se depois a
carne entremeada de porco, cortada em pedaços pequenos,
o alho, a cebola, a salsa, os cominhos e os cravinhos e
deixa-se marinar durante cerca de oito horas, mexendo de
vez em quando. Depois deste tempo, o arroz, cozido à
parte, é adicionado ao preparado. Enchem-se as tripas,
previamente muito bem lavadas e esfregadas com limão.
São servidas, após leve cozedura em água temperada com
sal, louro e cebola.
Para acompanhar estas iguarias recomenda-se o Vinho
Tinto que é produzido na região.
No que se refere à doçaria tradicional não devem ser
esquecidas as deliciosas Tigeladas, que são vendidas por
particulares, nos cafés e no Mercado Municipal, aos
Domingos.
Tigeladas
Ingredientes:
12 ovos
0,5 kg açúcar
1 l de leite
casca de limão
canela
Preparação:
Batem-se todos os ingredientes muito bem. Entretanto
leva-se a forno bem quente, durante cerca de vinte
minutos, as tigelas de barro. Passado esse tempo
deita-se a massa nas tigelas sem as tirar do forno e
deixa-se cozer durante algum tempo, verificando com um
palito o estado de cozedura.
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Na freguesia de Amêndoa ainda hoje se
encontram trabalhos artesanais, especialmente mantas de
trapos e peças em barro (pratos e cafeteiras), que
permanecem como referência cultural da localidade em
virtude do empenho e dedicação dos artesãos Amíndulenses.
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