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"As modestas instalações que formaram a princípio a
estação, com o seu primitivo núcleo de habitações, foram
por assim dizer, a origem da povoação, pelo que o seu
desenvolvimento se deve em grande parte, ao
extraordinário trânsito de comboios que permanentemente
se faz na estação do Entroncamento e à paragem que têm
nesta, visto ser ela o ponto obrigatório do tráfego
convergente a Lisboa e às regiões do Sul do Tejo,
provenientes das linhas de Leste, da Beira Baixa, do
Norte, do Minho e Douro, da Beira - Alta e das linhas
afluentes e da Capital e daquelas regiões do sul, que se
dirigem às referidas linhas, pelo que a C. P conseguiu,
assim, não só vir a ser um dos elementos que mais
contribuiu para a fundação da povoação e para o largo
desenvolvimento que esta veio a alcançar, e tão
justamente justificou a sua elevação a Vila do
Entroncamento" (Jornal “A Hora”, Outubro de 1938).
Quando isto foi escrito, no ano de 1938, o Entroncamento
possuía já 3 importantes divisões ou secções da C. P:
Uma chamava-se “Material e Tracção”, outra era a
“Exploração” e a terceira era designada de “Via e
Obras”, o que tornava o Entroncamento, na maior estação
ferroviária de Portugal. Tinha extensas linhas de
estacionamento e reserva de equipamentos, de
classificação e formação de comboios, oficinas modernas
para grandes reparações e montagem de locomotivas, de
fabrico e reparação de vagões, de preparação e
creosotagem de travessas, do fabrico de "tirefonds" e
parafusos e uma serração e preparação de madeiras, etc.
Para alimentar de energia todo este complexo, havia uma
central termo-eléctrica com 660 cavalos de potência e
ainda vapor necessário para o funcionamento das oficinas
de tracção e luz eléctrica para todas as dependências
dos serviços ali instalados. Em consequência disso tudo,
a população em 1932, elevava-se já a 6.000 habitantes.
Nesse ano passou, naturalmente, à categoria de Vila no
dia 21 de Dezembro.
Era considerada com razão, uma das terras mais prósperas
do País. A própria Companhia de Caminhos-de-Ferro
Portugueses investia então no seu embelezamento e até
num relativo conforto, para os respectivos funcionários,
construindo bairros de residências e uma importante
escola-modelo que foi considerada uma das melhores do
País. Foi nessa altura que se construiu a chamada "Vila
Verde" ao longo da estrada da Barquinha a Torres Novas,
com casas, então consideradas "alegres e higiénicas…”.
Outro bairro, também agradável, dava pelo nome de
"Bairro Camões". Actualmente, ambos fazem parte da
vizinha freguesia de Nossa Senhora de Fátima deste
concelho do Entroncamento. Neste último ficava a escola
primária para crianças de ambos os sexos, onde, à noite,
funcionava um curso de formação primária para
funcionários da C. P. Para o ensino técnico-profissional
começara a funcionar, desde 1929, a Escola de
Locomotivas do Entroncamento, uma iniciativa arrojada de
Manuel Ferreira Godinho. Paralelamente, tinha-se
construído um enorme Armazém de Víveres, capaz de
abastecer todo o pessoal da C. P. e um Dispensário
Anti-Tuberculoso que era considerado o melhor de
Portugal.
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