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O povoamento desta freguesia remonta a épocas
pré-históricas. D. Domingos Pinho Brandão fez aqui
aturados estudos de uma série de mosaicos romanos
encontrados no centro da sede da freguesia, lugar onde
anteriormente já tinham sido descobertos vários
vestígios da mesma época.
Em “Ourém - Estudos e Documentos”,
diz-se que “o Olival nas margens do Tomarel é um jardim
paradisíaco. Coutado pelo primeiro rei português, a Frei
Gonçalo, o “Traga-Mouros”, viúvo da moura Fátima...,
referem-se a estas paragens os mais antigos documentos
de que há memória no termo de Ourém. O velho convento de
Tomarães (séculos XII-XIII), que passou para o Mosteiro
de S. Bernardo de Coimbra, situava-se, segundo tudo leva
a crer, junto da povoação de Tomaréis... E por vários
séculos contou o Olival com uma pequena albergaria, com
ermitão permanente para atender peregrinos e
viandantes”.
Esta albergaria, com apenas quatro
camas, terá sido fundada no ano de 1323 por Martim Anes
de Bocifal que também instituiu um legado pio na igreja
de Santa Maria do Olival. O “Esboço Histórico do
Concelho de Vila Nova de Ourém” é da opinião que foi
Diogo da Praça que “dotou um hospital para peregrinos; o
qual acabou por desleixo, sendo desse destino desviados
os bens para a fundação do hospital de Leiria, no tempo
do bispo D. Manuel de Aguiar”.
Aquela igreja parece ter sido fundada
em 1210 ou 1211, enquanto a criação da paróquia datará
do século XVI. Em 1586 já estava formada pois existe um
documento desse ano que fala da nova paróquia do Olival
e que nela ouviam missa paroquianos de Santa Maria de
Ourém, de S. João e de S. Tiago. Sabe-se igualmente que
a ligação à colegiada de Ourém foi permanente, sendo a
freguesia um curato da apresentação daquela, passando
mais tarde a reitoria.
Mas um documento do maior interesse
para a história da igreja e da sua antiguidade, é um
auto de Inquirição de 1223, guardado no “Arquivo da
Catedral de Zamora”. Nesse precioso documento, onde pela
primeira vez se refere uma igreja no Olival, um dos
inquiridos, Pedro Pais, jurou “que sabia que a igreja de
Santa Maria do Olival fora fundada com o consentimento
do rei D. Sancho I e do bispo de Évora, D. Soeiro II...”.
António Rodrigues Baptista que no seu “Ourém” nos revela
este documento depois de o analisar conclui que “se não
errámos nos nossos cálculos, a igreja do Olival terá
sido fundada em 1210 ou nos primeiros meses de 1211 e,
como acabamos de ver, era servida por clérigos
destacados da igreja de Santa Maria de Ourém”.
A igreja velha era um templo
quatrocentista que sofreu restaurações entre 1888 e
1898. Os “Tesouros Artísticos de Portugal” consideram
que apesar de “bastante modernizada no exterior,
conserva um rico interior. As paredes da capela-mor são
forradas de azulejos azuis e brancos dos tipos
enxaquetado e padrão, seiscentistas. No altar-mor
admira-se uma escultura de madeira representando o
orago, peça barroca do século XVIII. Da imaginária
destacam-se ainda três esculturas de pedra,
possivelmente do século XV, representando Santa Luzia,
S. Sebastião e Santíssima Trindade. Além de um cadeirão
firmado no couro da espalda com o escudo brasonado dos
Machados e de duas estantes de missal bem lavradas,
provavelmente do século XVII, a igreja possui duas
apreciáveis pinturas seiscentistas, S. Miguel e as Almas
do Purgatório, sobre tábua e um ecce homo, sobre tela”.
Rica e de grande devoção no concelho
é a ermida de Nossa Senhora da Conceição. Templo antigo,
edificado no séc. XV, foi reedificado em 1578 pelo
cardeal D. Henrique, e modificado no século XVIII.
Precede a fachada um alpendre vasto de colunelos. O
tecto do corpo do templo é de madeira, sem pintura, e o
da capela-mor é abobadado com caixotões. Os parietais
desta são revestidos de azulejaria de tipo enxaquetado e
padrão. No nicho concheado do altar-mor está uma bela
escultura de pedra, quinhentista e policromada,
figurando a Virgem e o Menino. No arco triunfal,
admiram-se, pintadas a fresco, as figuras de Santo
Ambrósio e Santo Agostinho.
De grande interesse turístico, a
permitir desfrutar das belas paisagens que deslumbraram
Acácio de Paiva, ergue-se à entrada da aldeia de Óbidos
o “Cabeço”, a elevação de maior altitude da freguesia. O
lugar está carregado de história e de lendas falando de
mouros e das bolas de ouro por eles utilizadas nos seus
jogos, disputados no campo situado no Cabeço onde,
consta, esteve para ser construído o Castelo de Ourém.
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