RESENHA HISTÓRICA

Freguesia situada no extremo sudoeste do concelho, e seus limites com os de Sobral de Monte Agraço e Arruda dos Vinhos, Carnota dista cerca de 8 quilómetros da vila de Alenquer.


A freguesia de Santana da Carnota ocupa uma área de 18,03 quilómetros quadrados. Todo o seu termo se estende ao longo de um vale por uma área bem acidentada, coberta de rico manto vegetal e boas terras agrícolas. A vitivinicultura é uma das principais actividades económicas da freguesia.

O povoamento do território da freguesia deve remontar a épocas pré-históricas. O topónimo Antas refere-se seguramente a um monumento dolménico, do qual não há hoje qualquer notícia. A freguesia foi um curato anexo a Santo Estevão de Alenquer e da apresentação do respectivo prior no termo da dita vila. O pároco tinha de côngrua dois moios de trigo, um quarto de vinho e o pé-de-altar; era tudo contabilizado em cerca de 80 mil réis. A Casa da Rainha foi donatária de Santana da Carnota.

A freguesia teve um convento de frades capuchos, da invocação de Santa Catarina, cuja fundação, conforme asseveram os escritos de Frei João da Póvoa, Frei Marcos e dos padres Gonzaga e Waddingo, começou no ano de 1408, sendo o terreno oferecido por D. João I. Para isso, teve o monarca de o comprar às freiras de Odivelas por 7 mil libras, valor da avaliação, efectuando, contudo, o pagamento de 8 mil, quando a isso se dispôs, ou seja, dois anos depois.

No chamado monte da Carnota havia uma pequena ermida dedicada a Santa Catarina Virgem e Mártir, escolhendo-a para lugar de seu repouso o Pe. Frei Diogo Arias, depois da reforma do convento de Alenquer. Não tardou, porém, este antigo pregador a fundar ali uma casa religiosa de modestas proporções. Por muito tempo continuou a servir de igreja a aludida ermida, que só anos depois foi ligeiramente ampliada, sendo nessa altura construído um dormitório térreo e algumas oficinas. D. João I dotou-a ainda de dezasseis colunas de jaspe, sobre as quais foram levantados os arcos dos claustros. De remodelações várias beneficiou, posteriormente, a casa, encontrando-se maior e mais sólida quando, em 1531, foi destruída pelos repetidos terramotos que assinalaram esse ano. Foi então que Frei Vasco Correia, valendo-se do seu irmão António Correia Baarem, fez reconstruir o edifício, no qual se instalaram de novo os frades franciscanos da província de Portugal. Em 1546, por dádiva de Pedro Sobrinho de Mesquita e sua mulher Francisca Perestrelo, foi consideravelmente aumentada a cerca do lado norte, seguindo-se-lhe novo e avultado acrescento do lado sul, por oferta em terrenos de João Gonçalves e sua mulher, Maria Gomes, tornando-se assim o convento, já pelo pitoresco do local, já pelo seu recolhimento, um dos mais apetecidos de Portugal.

A igreja matriz da freguesia de Santana da Carnota foi afectada pelo terramoto de 1755. Três anos depois dava-se início à reedificação do templo. Das respectivas obras resultou um elegante templo setecentista, de belas e equilibradas proporções, de uma só torre e com um interior valorizado por um notável trabalho de pedra e estuque. Toda a igreja está ornada por medalhões, molduras, festões e grinaldas, preciosamente modeladas em gesso, ao gosto da época. O altar-mor é de estuque policromado com tribuna e dois nichos laterais, e o tecto, em abóbada de berço, está também decorado com aplicações de gesso. O arco triunfal, de desenho muito elegante e de capitéis profusamente ornamentados, é de calcário da região, ligando-se habilmente com o estuque dos altares laterais que cortam os cantos da nave da igreja.

De entre a imaginária destaca-se: Santa Ana, sentada com a Virgem, da transição entre os séculos XVII e XVIII; Nossa Senhora da Conceição, em madeira policromada, setecentista; Santo António, de sabor popular, seiscentista; outra Santa Ana, em madeira policromada, do século XVII; e um S. Sebastião, em calcário policromado. Na sacristia há dois baixos relevos representando uma “Cruz Ornamentada”, de desenho pouco vulgar e uma Senhora do Rosário, retirando as almas do Purgatório. Na outra sacristia há uma terceira pedra, com as mesmas características, representando uma “Custódia”, de grande sentido decorativo. Estas três peças, de calcário branco, concebidas ao gosto setecentista, são de muito boa feitura e de grande efeito plástico.

Das capelas existentes nesta freguesia, há algumas que merecem referência: a de Santo António, no lugar da Pipa, com alpendre, e uma boa imagem do padroeiro, do século XV ou XVI; a da Senhora das Angústias, no lugar das Antas, de alpendre com colunas de secção triangular; a da Senhora do Amparo, no lugar do Moinho de Vento, junto das Eiras, que se destaca pelo seu perfeito enquadramento entre as casa antigas que a rodeiam e pelo seu recorte pitoresco. Tem um pequeno campanário e um alpendre com duas colunas toscanas. Com a modéstia do seu interior contrastam a beleza e monumentalidade do púlpito setecentista e a pedra tumular, com inscrição, colocada a meio da pequena nave.