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A freguesia teve um convento de frades capuchos, da
invocação de Santa Catarina, cuja fundação, conforme
asseveram os escritos de Frei João da Póvoa, Frei Marcos
e dos padres Gonzaga e Waddingo, começou no ano de 1408,
sendo o terreno oferecido por D. João I. Para isso, teve
o monarca de o comprar às freiras de Odivelas por 7 mil
libras, valor da avaliação, efectuando, contudo, o
pagamento de 8 mil, quando a isso se dispôs, ou seja,
dois anos depois.
No chamado monte da Carnota havia uma
pequena ermida dedicada a Santa Catarina Virgem e
Mártir, escolhendo-a para lugar de seu repouso o Pe.
Frei Diogo Arias, depois da reforma do convento de
Alenquer. Não tardou, porém, este antigo pregador a
fundar ali uma casa religiosa de modestas proporções.
Por muito tempo continuou a servir de igreja a aludida
ermida, que só anos depois foi ligeiramente ampliada,
sendo nessa altura construído um dormitório térreo e
algumas oficinas. D. João I dotou-a ainda de dezasseis
colunas de jaspe, sobre as quais foram levantados os
arcos dos claustros. De remodelações várias beneficiou,
posteriormente, a casa, encontrando-se maior e mais
sólida quando, em 1531, foi destruída pelos repetidos
terramotos que assinalaram esse ano. Foi então que Frei
Vasco Correia, valendo-se do seu irmão António Correia
Baarem, fez reconstruir o edifício, no qual se
instalaram de novo os frades franciscanos da província
de Portugal. Em 1546, por dádiva de Pedro Sobrinho de
Mesquita e sua mulher Francisca Perestrelo, foi
consideravelmente aumentada a cerca do lado norte,
seguindo-se-lhe novo e avultado acrescento do lado sul,
por oferta em terrenos de João Gonçalves e sua mulher,
Maria Gomes, tornando-se assim o convento, já pelo
pitoresco do local, já pelo seu recolhimento, um dos
mais apetecidos de Portugal.
A igreja matriz da freguesia de
Santana da Carnota foi afectada pelo terramoto de 1755.
Três anos depois dava-se início à reedificação do
templo. Das respectivas obras resultou um elegante
templo setecentista, de belas e equilibradas proporções,
de uma só torre e com um interior valorizado por um
notável trabalho de pedra e estuque. Toda a igreja está
ornada por medalhões, molduras, festões e grinaldas,
preciosamente modeladas em gesso, ao gosto da época. O
altar-mor é de estuque policromado com tribuna e dois
nichos laterais, e o tecto, em abóbada de berço, está
também decorado com aplicações de gesso. O arco
triunfal, de desenho muito elegante e de capitéis
profusamente ornamentados, é de calcário da região,
ligando-se habilmente com o estuque dos altares laterais
que cortam os cantos da nave da igreja.
De entre a imaginária destaca-se:
Santa Ana, sentada com a Virgem, da transição entre os
séculos XVII e XVIII; Nossa Senhora da Conceição, em
madeira policromada, setecentista; Santo António, de
sabor popular, seiscentista; outra Santa Ana, em madeira
policromada, do século XVII; e um S. Sebastião, em
calcário policromado. Na sacristia há dois baixos
relevos representando uma “Cruz Ornamentada”, de desenho
pouco vulgar e uma Senhora do Rosário, retirando as
almas do Purgatório. Na outra sacristia há uma terceira
pedra, com as mesmas características, representando uma
“Custódia”, de grande sentido decorativo. Estas três
peças, de calcário branco, concebidas ao gosto
setecentista, são de muito boa feitura e de grande
efeito plástico.
Das capelas existentes nesta
freguesia, há algumas que merecem referência: a de Santo
António, no lugar da Pipa, com alpendre, e uma boa
imagem do padroeiro, do século XV ou XVI; a da Senhora
das Angústias, no lugar das Antas, de alpendre com
colunas de secção triangular; a da Senhora do Amparo, no
lugar do Moinho de Vento, junto das Eiras, que se
destaca pelo seu perfeito enquadramento entre as casa
antigas que a rodeiam e pelo seu recorte pitoresco. Tem
um pequeno campanário e um alpendre com duas colunas
toscanas. Com a modéstia do seu interior contrastam a
beleza e monumentalidade do púlpito setecentista e a
pedra tumular, com inscrição, colocada a meio da pequena
nave.
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