RESENHA HISTÓRICA


Nó central de eixos viários, desde os primórdios, (1ª linha dos caminhos de ferro, Lisboa - Carregado); cruzamento da Estrada Real Lisboa - Caldas da Rainha e Lisboa - Santarém, bem como pólo fluvial importante através do rio Tejo, desde Lisboa às Portas de Ródão, o Carregado continua hoje a sua tradição de nó central das linhas viárias que cruzam o País.
De povoação rural onde abundavam as Quintas (Condessa, Telhada, Queimada, S. Julião, Alegria, Stº. António “Vaz Monteiro”, Barrão, Passagem, Campo (Marquês), Vale Flores, Casal Novo, Meirinha, Mendanha, Casal Velho, Barrada, Colónia, Roseiral, Outeiro, Chacão, Seixas, Alconchel, Boa-Água, Peixoto, etc.) o Carregado é hoje zona comercial e industrial, mercê da sua privilegiada localização. As vinhas, os campos de trigo e os olivais, cederam o seu lugar a novas construções. As indústrias implantaram-se na área, as populações modificaram o seu modo de vida, o Carregado iniciou o seu crescimento.


A história do Carregado ainda está por fazer. Pouco se sabe do seu início , mas o seu nascimento teve certamente origem nas variadas e importantes quintas que aqui existiam, algumas delas ainda podem ser visitadas.

(1) "Em 22 de Dezembro de 1837 foi mudada o Valle do Carregado para o Concelho de Alemquer e freguezia de Cadafaes. D´antes tinha pertencido a Villa Franca de Xira" . Presentemente aquele lugar pertence de novo ao seu concelho de origem.

A freguesia de S.Iago, hoje reunida à de Stº Estevão, tinha em 1758 apenas 40 fogos e 160 almas e compreendia os lugares de Pancas, Parrotes e Carregado .

" A parochia de Stº Estevão é a reunião das freguezias de S.Pedro e S.Iago: os logares que abrange são Pedra d’ Oiro, Paredes, Trombeta e parte dos logares de Pancas e Carregado.

A ocupação humana na freguesia remonta à pré-história, nomeadamente nas épocas do Paleolítico e Neolítico;" nas camadas do caminho do Carregado para Cadafaes, encontram-se sílex lascados, maxilares de pequenos animaes, dentes molares de homens e fragmentos de loiça grosseira, vermelha e anegrados.

Nas camadas dos Casaes do Carregado encontram-se em areeiros, alguns calhaus de sílex de peso de 2 a 8 Kilos e raras lascas e peças pequenas da mesma substância. Nos calhaus percebe-se que algumas lascas não deixam dúvidas sobre a mão do homem, o que nos garante a presença do “Genus Homo” nesta Terra ".

Centro de comunicações por excelência o Carregado assumiu desde há séculos, um papel histórico-geográfico, como porto fluvial, estação ferroviária e centro viário de ligação com o Norte do País.

Desde a idade média, coloca-se como ponto estratégico e passagem obrigatória que aqui faziam as galeras e os almocreves que, entre a Vala do Carregado e o Alto Concelho de Alenquer, escoavam toda a produção artesanal e agrícola da região. Entre 1758 e 1855 passaram na localidade as carreiras diárias da mala posta entre Lisboa, Caldas da Rainha e Coimbra.

(2) " Em 1 de Setembro de 1850 foi iniciada a construção da Estrada Real entre Lisboa e Caldas da Rainha passando por Carregado, Alenquer e Ota . A primeira carreira regular da Mala-Posta em Portugal confere ao Carregado o lugar da mais importante estação de apoio aos serviços regulares desta carreira entre Lisboa e Caldas da Rainha, que funcionou até 1864. De notar que o marco existente no Carregado tem inscrito numa das faces: ESTRADA QUE / VEM DAS CAL/DAS DA/RAINHA e noutra das faces : ESTRADA QUE / SE DERIGE / A SANTARÉM / ANNO DE 1788, o que nos leva a crer que esta estrada possivelmente construída em cima de antigos caminhos romanos já funcionava muito antes de 1850.

A 28 de Maio de 1855 inaugurou-se a carreira diária, da Mala-Posta entre o Carregado e Coimbra. Os passageiros e o correio saíam de Lisboa numa barca da Companhia de Barcos e Vapores do Tejo, seguiam até ao cais da Vala do Carregado, donde partia a deligência ao meio dia. À mesma hora da partida do Carregado, saía de Coimbra uma outra deligência que chegava á estação da Vala do Carregado cerca das 11 horas da noite. A partir de 1859, esta carreira alargou o seu trajecto e passou a ligar Lisboa ao Porto.

Nesta deligência de 6 lugares, puxada por 4 cavalos, o preço de uma passagem entre o Carregado e Ota, com direito a 33 arráteis de bagagem (cerca de 15 Kg) era de 720 réis em primeira classe e 480 em segunda.

Em 28 de Outubro de 1856, inaugurou-se o caminho de ferro de Portugal, com a 1ª linha férrea de Lisboa ao Carregado. Desta inauguração transcrevemos uma passagem do livro de memórias da Marquesa de Rio Maior (que à data era ainda criança ):
Vou narrar o que me lembra do solene dia da inauguração que, enfim, chegou. Minha mãe não quis ir ao banquete do Carregado. Mas foi comigo para um cerro fronteiro à estação de Alhandra ver a passagem do comboio (….).

Finalmente, avistámos ao longe um fumozinho branco, na frente de uma fita escura que lembrava uma serpente a avançar devagarinho. Era o comboio ? Quando se aproximou, vimos que trazia menos carruagens do que supúnhamos. O comboio parou por um momento na estação, de onde se ergueram girândolas estrondosas de foguetes (...).

(...) Só no dia seguinte ouvimos o meu pai contar as várias peripécias dessa jornada de inauguração. A máquina (...) não tinha força para puxar todas as carruagens que lhe atrelaram; e fora-as largando pelo caminho. Creio que se o Carregado fosse mais longe e a manter-se uma tal proporção, chegava lá a máquina sozinha ou parte dela. (...)

(...) Meu pai passou para a carruagem real, na qual chegou ao Carregado, onde assistiu aos festejos e comeu lautamente, porque o banquete era farto ".

Com esta inauguração, a máquina a vapor substitui as faluas do Tejo, e, gradualmente, os serviços regulares das carreiras da mala-posta. O Carregado tornou-se numa povoação importante pele sua situação no cruzamento da estrada de Lisboa para Santarém com a estrada para o Cercal e Caldas da Rainha.

Mais recentemente uma nova rodovia passou a atravessar o termo da freguesia: a Auto Estrada A1, o principal eixo rodoviário do País. Presentemente está em construção uma nova rodovia a A10 que se destina a fazer a ligação ao sul do País, ficando com uma das maiores rotundas de auto-estradas da Europa.
 


A CRIAÇÃO DA FREGUESIA


DECRETO - LEI Nº 70/84 de 31 de Dezembro
A Assembleia da República decreta, nos termos do artigo 167º e do nº 2 do artigo 169ºda Constituição,
o seguinte:


ARTIGO 1º
 


1 - É criada no concelho de Alenquer a freguesia do Carregado.
2 - A freguesia de Carregado passa integrar os lugares de Carregado, Casal Pinheiro, Obras Novas, Casal do Prego, Carambancha de Cima, Torre, Meirinha, Ferraguda, Guizanderia, Vale Flores e Carambancha de Baixo.
 


ARTIGO 2º
 


Os limites da nova freguesia, conforme representação cartográfica anexa são:
a) Partindo de um ponto situado no rio Tejo, onde se cruzam os limites dos concelhos de Alenquer, Azambuja e Vila Franca de Xira, segue ao longo do rio Alenquer até às proximidades de Vila Nova da Rainha, concelho de Azambuja;
b) Prossegue deste ponto para oeste, ao longo da estrada nacional nº 3 e do mesmo limite entre os concelhos de atrás referidos até à Vala do Corte das Freiras, no qual segue para noroeste, coincidindo com o mesmo limite de concelhos onde deixa esta linha e segue para oeste, curvando para noroeste ao longo da mesma vala junto aos limites do lugar de Quintinha;
c) Segue para sul, pelas valas que servem de extrema às propriedades denominadas "Quinta da Queimada" e "Quinta da Telhada" , desviando ligeiramente para sudoeste seguindo a estrada municipal para sul até à entrada da propriedade denominada "Quinta dos Cónegos";
d) Daí segue pela mesma estrada até à estrada nacional nº 1, continuando ao longo desta para noroeste até ao aqueduto do Casal Machado, voltando para sudoeste ao longo de uma linha de água até encontrar o canal do Alviela, prosseguindo para sul ao longo deste até à estrada municipal de Carambancha, seguindo esta para oeste, para norte e de novo para oeste, até à estrada que vem do lugar de Paredes;
e) Neste, prossegue no sentido sul, curvando para sudoeste até à ribeira do Barão, continuando ao longo desta ribeira até à já mencionada estrada que vem do lugar de Paredes, seguindo ao longo desta no sentido sudoeste até próximo das povoações de Ferraguda e Guizanderia, onde continua através de uma vala paralela a esta estrada e do lado sul do aglomerado populacional até ao caminho que liga na estrada do Carregado-Casais da Marmeleira, seguindo esta no sentido sul e depois até ao cruzamento da estrada do Casal do Torino, que continua até a um regato;
f) Aqui, segue por aquele regato até ao canal do Alviela, voltando ao longo deste no sentido sueste, atravessa a estrada nacional nº 3 até ao rio Grande da Pipa, linha limite dos concelhos de Alenquer e Vila Franca de Xira. Segue este rio para norte, curvando para leste, atravessa a estrada nacional nº 1 na Ponte da couraça e passa ao longo da vala do Carregado para sudoeste até ao eixo do rio Tejo nestes limites, seguindo o mesmo eixo do rio no sentido da sua nascente até ao ponto de partida desta descrição.


ARTIGO 3º


1 - A Comissão instaladora da nova freguesia será constituída nos termos e no prazo previstos no artigo 10º da lei nº 11/82, de 2 de Junho.
2 - Para os efeitos da disposição referida no número anterior, a Assembleia Municipal de Alenquer nomeará uma comissão instaladora constituída por:
a) 1 representante da Assembleia Municipal de Alenquer;
b) 1 representante da Câmara Municipal de Alenquer;
c) 1 representante de cada uma das Assembleias de Freguesia de Santo Estêvão, Triana e Cadafais;
d) 1 representante de cada uma das Juntas de Freguesia de Santo Estevâo, Triana e Cadafais
e) 10 cidadãos eleitores designados de acordo com os nºs 2 e 3 do artigo 10º da Lei nº 11/82.
 


ARTIGO 4º
 


1 - A comissão instaladora exercerá funções até à tomada de posse dos órgãos autárquicos da nova freguesia.
2 - O artigo 10º, nº 6, da Lei nº 11/82 não se aplica à criação da presente freguesia.
 


ARTIGO 5º
 


As eleições para a assembleia da nova freguesia realizar-se-ão na data das primeiras eleições autárquicas gerais posteriores à entrada em vigor da presente lei.
 


ARTIGO 6º
 


A presente lei entra em vigor em 1 de Janeiro de 1985.

Aprovado em 30 de Novembro de 1984.
O Presidente da Assembleia da República, Fernando Monteiro do Amaral.
Promulgada em 29 de Dezembro de 1984.
Publique-se,
O Presidente da República, ANTÓNIO RAMALHO EANES.
Referendada em 29 de Dezembro de 1984.
O Primeiro Ministro Mário Soares.
A sua comissão instaladora tomou posse em 1 de Março de 1985 e era constituída pelos Srs. Carlos Justino Cordeiro (A.M.Alenquer), Américo Franco Marçal (C.M.Alenquer), Arlindo M.A. Vicente (A.F.St. Estevão), Luís Manuel C. Lopes (A.F.Triana), Pedro Manuel Simões da Silva (A.F.Cadafais), José Gilberto Silva Cristóvão (J.F.St. Estevão), João Francisco Carvalho Joel (J.F.Triana), Arsénio Assunção Carvalho (J.F.Cadafais), João José Fernandes Gomes (PS), Abel Pedroso do Couto (PS), Carlos Manuel Bernardo dos Santos (PS), António Diniz Francisco (PS), José António Claudio Jones (PS), Álvaro da Costa e Silva (APU), Carlos Silva (APU), Augusto Piedade Santos (APU), Domingos Salvador Silva Henriques (PSD) e Albertino Francisco dos Santos (CDS).

Eleitores em 1985: Carregado 1911, Torre 139, Casal Pinheiro 221, Obras Novas 241, Guizanderia 378. Total de 2890.

As primeiras eleições para o mandato de 1986 - 1989 tiveram como resultado os seguintes eleitos:

Junta de Freguesia

           Eduardo Silva Vicente (Presidente)
           António Diniz Francisco (Secretário)
           José Rodrigues Pinto (Tesoureiro)


Mesa da Assembleia de Freguesia

           Domingos S. Silva Henriques (até Abril 87) (Presidente)
           Álvaro da Costa e Silva (Após Abril de 87) (Presidente)
           Augusto Piedade Santos (Após Abril de 87) (1º Secretário)
           Maria Gorete M. Assis (Até Setembro 86) (2º Secretário)
           Cristina Maria Duarte Nunes (Após Abril 87) (2º Secretário)


Assembleia de Freguesia

           Arlindo Manuel Assunção Vicente
           José Manuel Gaspar Marujo
           Amarino dos Santos Coelho
           Abel Machado Lopes (Após Outubro 86)
           Luís Manuel Carvalho Lopes (Após Julho 87)
 


A CRIAÇÃO DA VILA
 


Freguesia com uma área de 15,28 quilómetros quadrados, o Carregado dista 4 quilómetros da sede do concelho.
Situada na zona de maior índice de crescimento industrial do concelho, esta freguesia transformou-se na área concelhia de maior densidade populacional. Criada em 1985, foi constituída a partir do desmembramento de lugares das freguesias limítrofes de Cadafais, Santo Estêvão e Triana.
Dispõe actualmente, de vários equipamentos essenciais para uma vida urbana com alguma qualidade, nomeadamente Jardim de infância, estabelecimentos de ensino básico ( 1 escola de 1º ciclo no Carregado, 1 escola de 1º ciclo na Torre, 1 escola de 1º ciclo na Guizanderia, 1 escola básica integrada - 123, no Carregado, tem projectada mais escola EBI -123), Centro de Saúde, Pólo da Biblioteca Municipal, Pólo da Cruz Vermelha Portuguesa, Associação de Dadores de Sangue, Escuteiros, Campo de jogos relvado, Rancho Folclórico, várias instituições bancárias, Lar da 3ª. Idade, mercado diário coberto, mercado semanal e diversos estabelecimentos de comércio e serviços. Actualmente, o Carregado é uma das mais povoadas freguesias do concelho de Alenquer, com cerca de 12.000 habitantes, sensivelmente um terço da população do concelho. O crescimento verificado nos últimos anos na freguesia tem sido muito acentuado, o qual contribuiu para a sua elevação à categoria de Vila, em 4/6/97, através da Lei nº 56/97, publicada no D. R. 1ª série A nº 159 de 12 /7/97.

LEI Nº 56/97 de Julho de 97

Elevação da povoação do Carregado à categoria de Vila
A Assembleia da República decreta, nos termos dos artigos 164º,alínea d) e 169º nº 3, da Constituição, o seguinte:


Artigo Único


A povoação do Carregado, do concelho de Alenquer, é elevada à categoria de vila.

Aprovada em 4 de Junho de 1997.
O Presidente da Assembleia da República, António de Almeida Santos.
Promulgada em 20 de Junho de 1997.
Publique-se,
O Presidente da República, Jorge Sampaio.