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O acesso a esta Freguesia faz-se mediante as seguintes
vias: Caminho Municipal 1087, de Ansião a Santiago da
Guarda; Caminho Municipal 1086, de Mogadouro a Santiago
da Guarda; e Estrada Municipal 526, que faz a ligação
entre Venda do Brasil, Santiago da Guarda e Ramalhais.
A fundação de Santiago é muito remota, como comprovam os
vestígios arqueológicos aqui encontrados, nomeadamente,
alguns machados e artefactos neolíticos (em Monte Alvão
e nos lugares de Guarda e Moita Santa); além de alguma
cerâmica, pedaços de vasilhas e restos de tegulae e
imbrices, do período romano (no local do Poço do
Carvalhal).
Na época de fundação da
Nacionalidade, esta zona é referida, em carta de doação
da Herdade do Alvorge ao Mosteiro de Santa Cruz de
Coimbra, de D. Afonso Henriques, datada de Fevereiro de
1141. Neste documento, menciona-se, pela primeira vez, a
povoação designada por “Façalamim”, que se localizava a
sul do Alvorge, a partir do paralelo longitudinal de
Junqueira. O topónimo, de origem árabe, provém de “Fahç
al mir”, isto é, “campo do amir” ou “campo do príncipe”,
e surgirá registado ao longo de vários séculos, até ser
substituído, a partir de meados do século XVIII, pelo
actual “Santiago da Guarda”. No ano de 1166, a
denominação surgia sob a forma de “Fazalamir”.
Em Abril de 1191, D. Sancho I doou o
dízimo que uma herdade local pagava à Coroa, ao Mosteiro
de São Jorge de Coimbra, pela devoção que tinha àquele
Santo.
A 8 de Dezembro de 1476, Pero de
Sousa Ribeiro, senhor de Figueiró, filho de João
Rodrigues de Vasconcelos e de D. Branca da Silva,
recebeu carta de privilégio de couto e honra para a
Quinta que possuía na Freguesia e para a feira de Moita
Santa. Este documento instituiu o direito exclusivo
daquela Quinta e a imunidade da referida Feira. Luís de
Sousa e Vasconcelos, quarto alcaide-mor de Pombal,
recebeu aquela Comenda, por carta datada de 14 de Março
de 1597. Seguiram-se ainda outras honras e títulos até
D. Manuel II, que os confirmou, já na posse da família
Castelo Melhor.
Santiago da Guarda foi curato anexo à freguesia de Abiul,
a cujo termo pertencia, passando depois a Freguesia
independente, com o título de Vigairaria.
Em 1758, era Donatário da região, o
Conde de Castelo Melhor. Segundo as Memórias Paroquiais,
o Pároco local era da apresentação das Religiosas do
Real Mosteiro do Lorvão, com um rendimento de dez mil
réis e pé de altar.
Na época, além da Igreja Matriz,
dedicada a Santiago, a Freguesia possuía as Ermidas da
Senhora da Piedade, no Vale do Boi; de São João e de
Santa Ana, no lugar do Pinheiro; de São Pedro, no Casal
dos Nogueiros; de Santo António, nas Louriceiras; de
Santa Bárbara, no lugar da Melriça; de Santa Apolónia e
de São Vicente, no lugar da Moita Negra; e da Senhora da
Moita Santa, no lugar do mesmo nome.
No ano de 1839, esta povoação
integrou o concelho de Rabaçal e, posteriormente,
transitou para o actual Município.
Santiago da Guarda orgulha-se das personalidades que,
tendo nascido ou vivido no seio das suas terras, deram
um importante contributo para o desenvolvimento do País
e para o bem-estar da população.
É esse o caso da nobre família dos
Vasconcelos, senhores de Figueiró, que aqui ergueram um
magnífico Solar, na segunda metade do século XV,
significativo exemplar da arquitectura civil medieva,
hoje designado por Solar dos Condes de Castelo Melhor.
Vale sempre a pena recordar as histórias e as lendas que
povoam o imaginário colectivo de uma comunidade, porque
dão consistência a um passado comum, criando
indestrutíveis laços de identidade e união entre as
consciências individuais.
Segundo o que se sabe, no século IX,
houve um importante movimento de culto a Santiago, ou
São Iaco, porque, na Galiza, se pensava ter descoberto o
túmulo daquele Apóstolo. No território hoje ocupado por
Santiago da Guarda, passava então uma estrada romana
que, do centro do País, seguia até Soure e muitos
peregrinos tomavam esta via, para se encaminharem a
Santiago de Compostela.
Nascida no contexto específico da
Reconquista Cristã, a devoção a Santiago subsistiu
durante as Idades Média e Moderna. Também as populações
desta região se arraigaram muito a esse culto, acabando
por incluir o nome do Santo no topónimo local e
elegendo-o como Orago da Freguesia.
O segundo termo, “Guarda”, remete
para a existência de um antigo posto de distribuição do
correio, ou seja, de guarda da mala-posta.
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