|
O
povo dedica-se além da agricultura aos negócios baseados
quase todos nos produtos originários da terra.
No
aspecto industrial pouco ou nada existe digno de ser
referido: algumas oficinas mecânicas, uma carpintaria e
pouco mais. Alguns empreiteiros da construção civil
industrial dignos de menção radicados na zona de Lisboa
e arredores. Também alguns comerciantes de certa
expressão, um dos maiores horto-fruticultores do país
nesse campo de actividade, alguns lagares de azeite, uma
indústria de carnes e será mais ou menos tudo que merece
referência no panorama económico da freguesia.
No capítulo histórico pouco se sabe acerca do seu
passado. Encontraram-se vestígios da vivência dos mouros
por estes sítios, aliás como já referimos, por todo o
concelho.
Existiu um antigo convento, ao que parece fundado por
frades beneditinos e que pelo ano de 1159 ainda existia,
como está escrito numa doação que D. Afonso Henriques
fez aos templários.
Jacinto António Peres, foi pessoa nobre e de muito valor
nesta terra, faltam-nos dados biográficos desenvolvidos,
mas sabe-se ter sido o 1º Visconde de Alvaiázere.
O
título foi criado a seu favor por decreto de 25 de
Setembro de 1854 (como barão) e elevado a Visconde pelo
decreto de 30 de Dezembro de 1855.
No
exterior da Igreja Matriz existe uma campa mortuária
brasonada de Manuel Vaz Ribeiro.
Tal como Maçãs de D.
Maria e Maçãs de Caminho, também Rego da Murta deve o
seu nome a um ribeiro que passa na freguesia,
exactamente o ribeiro da Murta. Num decerto pequeno
ribeiro, terá então nascido o lugar da Murta.
Apesar dos vestígios da ocupação árabe que campeiam Rego
da Murta, tal como na generalidade do concelho, datam do
século XII as primeiras referências concretas à
freguesia.
Ao que parece, Rego da Murta
formou-se à volta de um convento beneditino, cuja data
da fundação não se conhece, mas que ainda existia em
1159. Num documento deste ano, D. Afonso Henriques
refere expressamente o nome do mosteiro, através de uma
doação à Ordem dos Templários, que já possuía avultados,
benefícios nesta zona.
Diversas opiniões têm sido expressas
sobre o convento que terá dado origem à paróquia de Rego
da Murta. Até Augusto Pinho Leal, no seu "Portugal
Antigo e Moderno", se atreveu a emitir um douto parecer:
"Segundo a Chronica dos religiosos dominicos, por o
nosso famoso classico, Frei Luiz de Sousa, esta egreja
era de um mosteiro da sua ordem, pois na parte 1.ª.,
livro 4.º, cap. 6.º diz: – Entre Leyria e o Beco, ha uma
Igreja de tres naves, cercada de edificios arruinados,
em que ainda hoje se enxergão sinaes de claustros, e
officinas grandes. Chamão-lhe Mosteiro, e persevéra a
tradição que foi nosso.
Apesar do respeito devido a tão
esclarecido escriptor, não me persuado que este mosteiro
fosse da ordem dos prégadores, pela simples razão de ser
instituida muitos anos depois de não existirem senão as
ruinas do mosteiro. É mais provável que fosse de
templarios. É verdade que no altar-mór se vê a imagem do
patriarcha S. Domingos, fundador da ordem dos prégadores,
mas podia alli ser colocada muitos seculos depois de já
não existir o mosteiro".
Não é conhecida, em data posterior,
a extinção desta casa religiosa. Sabe-se sim, que ao
longo da Idade Moderna, a freguesia foi um priorado da
apresentação do ordinário e do Colégio da Sapiência de
Coimbra. Segundo o Pe. António Carvalho da Costa ("Corographia
Portuguesa", 1706), este priorado, também conhecido como
Cabaço era constituído por "quinze lugares, 8 casaes, em
que ha cem visinhos; e quatro Ermidas: huma de Santiago
no lugar do Cabaço: outra de S. Bento no lugar do
Carvalhal: outra de S. Mattheus no lugar da Sandoeyra e
outra de Nossa Senhora da Graça, que se intitula também
de S. Domingos, a qual está junto á Ribeyra da Murta,
que como dissemos, divide este termo do da Villa das
Pias em terras de Morgado dos Ulhoas de Thomar. Fidalgos
honrados".
Entre 7 de Novembro de 1895 a 13 de
Janeiro de 1898, Rego da Murta esteve integrada no
concelho de Ferreira do Zêzere. Só depois passou,
definitivamente, para o de Alvaiázere.
Raúl de Carvalho, em "Concelho de
Alvaiázere" caracterizou da seguinte forma a economia de
Rego da Murta em 1970: "Vive o seu povo praticamente da
agricultura, daí o existirem muitos camionistas que
transportam para os mercados das principais cidades os
seus produtos agrícolas, e existirem também muitos
feirantes e negociantes de gado. Praticamente dentro da
área da freguesia não existe nenhuma indústria".
Mas a situação económica de Rego da
Murta evoluiu. Actualmente habitam a freguesia cerca de
mil habitantes, que se dedicam sobretudo à agricultura.
Foi figura de proa desta freguesia
Jacinto António Peres, 1.º Visconde de Alvaiázere. O
título de barão foi criado a seu favor por decreto de 25
de Setembro de 1854 e no ano seguinte foi elevado a
visconde.
|