RESENHA HISTÓRICA

 

Como se torna evidente o Orago desta Freguesia é S. Pedro, daí o nome da terra, embora oficialmente seja de Rego da Murta o que tem o seu que de anacrónico e até estranho; o lugar de Rego da Murta, fica no concelho de Ferreira do Zêzere, distrito de Santarém e província do Ribatejo. A festa anual da terra realiza-se no dia 29 de Junho e é dedicada ao seu patrono.

É pároco da freguesia o sr. padre Jacinto Nunes.



 

O povo dedica-se além da agricultura aos negócios baseados quase todos nos produtos originários da terra.

No aspecto industrial pouco ou nada existe digno de ser referido: algumas oficinas mecânicas, uma carpintaria e pouco mais. Alguns empreiteiros da construção civil industrial dignos de menção radicados na zona de Lisboa e arredores. Também alguns comerciantes de certa expressão, um dos maiores horto-fruticultores do país nesse campo de actividade, alguns lagares de azeite, uma indústria de carnes e será mais ou menos tudo que merece referência no panorama económico da freguesia.

No capítulo histórico pouco se sabe acerca do seu passado. Encontraram-se vestígios da vivência dos mouros por estes sítios, aliás como já referimos, por todo o concelho.

Existiu um antigo convento, ao que parece fundado por frades beneditinos e que pelo ano de 1159 ainda existia, como está escrito numa doação que D. Afonso Henriques fez aos templários.

Jacinto António Peres, foi pessoa nobre e de muito valor nesta terra, faltam-nos dados biográficos desenvolvidos, mas sabe-se ter sido o 1º Visconde de Alvaiázere.

O título foi criado a seu favor por decreto de 25 de Setembro de 1854 (como barão) e elevado a Visconde pelo decreto de 30 de Dezembro de 1855.

No exterior da Igreja Matriz existe uma campa mortuária brasonada de Manuel Vaz Ribeiro.

Tal como Maçãs de D. Maria e Maçãs de Caminho, também Rego da Murta deve o seu nome a um ribeiro que passa na freguesia, exactamente o ribeiro da Murta. Num decerto pequeno ribeiro, terá então nascido o lugar da Murta.

Apesar dos vestígios da ocupação árabe que campeiam Rego da Murta, tal como na generalidade do concelho, datam do século XII as primeiras referências concretas à freguesia.

Ao que parece, Rego da Murta formou-se à volta de um convento beneditino, cuja data da fundação não se conhece, mas que ainda existia em 1159. Num documento deste ano, D. Afonso Henriques refere expressamente o nome do mosteiro, através de uma doação à Ordem dos Templários, que já possuía avultados, benefícios nesta zona.

Diversas opiniões têm sido expressas sobre o convento que terá dado origem à paróquia de Rego da Murta. Até Augusto Pinho Leal, no seu "Portugal Antigo e Moderno", se atreveu a emitir um douto parecer: "Segundo a Chronica dos religiosos dominicos, por o nosso famoso classico, Frei Luiz de Sousa, esta egreja era de um mosteiro da sua ordem, pois na parte 1.ª., livro 4.º, cap. 6.º diz: – Entre Leyria e o Beco, ha uma Igreja de tres naves, cercada de edificios arruinados, em que ainda hoje se enxergão sinaes de claustros, e officinas grandes. Chamão-lhe Mosteiro, e persevéra a tradição que foi nosso.

Apesar do respeito devido a tão esclarecido escriptor, não me persuado que este mosteiro fosse da ordem dos prégadores, pela simples razão de ser instituida muitos anos depois de não existirem senão as ruinas do mosteiro. É mais provável que fosse de templarios. É verdade que no altar-mór se vê a imagem do patriarcha S. Domingos, fundador da ordem dos prégadores, mas podia alli ser colocada muitos seculos depois de já não existir o mosteiro".

Não é conhecida, em data posterior, a extinção desta casa religiosa. Sabe-se sim, que ao longo da Idade Moderna, a freguesia foi um priorado da apresentação do ordinário e do Colégio da Sapiência de Coimbra. Segundo o Pe. António Carvalho da Costa ("Corographia Portuguesa", 1706), este priorado, também conhecido como Cabaço era constituído por "quinze lugares, 8 casaes, em que ha cem visinhos; e quatro Ermidas: huma de Santiago no lugar do Cabaço: outra de S. Bento no lugar do Carvalhal: outra de S. Mattheus no lugar da Sandoeyra e outra de Nossa Senhora da Graça, que se intitula também de S. Domingos, a qual está junto á Ribeyra da Murta, que como dissemos, divide este termo do da Villa das Pias em terras de Morgado dos Ulhoas de Thomar. Fidalgos honrados".

Entre 7 de Novembro de 1895 a 13 de Janeiro de 1898, Rego da Murta esteve integrada no concelho de Ferreira do Zêzere. Só depois passou, definitivamente, para o de Alvaiázere.

Raúl de Carvalho, em "Concelho de Alvaiázere" caracterizou da seguinte forma a economia de Rego da Murta em 1970: "Vive o seu povo praticamente da agricultura, daí o existirem muitos camionistas que transportam para os mercados das principais cidades os seus produtos agrícolas, e existirem também muitos feirantes e negociantes de gado. Praticamente dentro da área da freguesia não existe nenhuma indústria".

Mas a situação económica de Rego da Murta evoluiu. Actualmente habitam a freguesia cerca de mil habitantes, que se dedicam sobretudo à agricultura.

Foi figura de proa desta freguesia Jacinto António Peres, 1.º Visconde de Alvaiázere. O título de barão foi criado a seu favor por decreto de 25 de Setembro de 1854 e no ano seguinte foi elevado a visconde.