|
A Casa do Patriarca desde a sua construção,
que data de 1669:
conforme o cronista Conde Lourenço Magalotti, a Atalaia e
as suas cercanias mereceram esta descrição:” (...)Atalaia, fora
da qual se vê por acabar um grande palácio quadrado de boa e nobre
arquitectura, e que é do conde que tem por título o nome da dita
povoação. Aqui os campos circunvizinhos não estão tão cultivados,
mas em troca são maravilhosamente adequados a caçadas, sendo da
esterilidade da terra abundante recompensa a multiplicidade dos
animais que aí se encontram.”
até à
presente data sofreu muitas alterações. No entanto, a sua traça
exterior manteve-se sempre inalterável.
Ao criar-se o Turismo Rural nesta casa, houve o cuidado de ter em
atenção que ela continha toda uma história e tradição que não
deveriam ser esquecidas, facto pelo qual os actuais proprietários
têm vindo desde o início compilando toda a matéria referente ao
historial, bem como de tudo o que com ela se relaciona.
Deste modo querendo homenagear o segundo Cardeal Patriarca de
Lisboa, D. José Manuel da Câmara, foi escolhido, aquando da criação
do Turismo Rural o nome de Casa do Patriarca.
O Cardeal Patriarca nasceu nesta casa no início do ano da graça de
1686, tendo sido baptizado no dia seis do mês de Janeiro do mesmo
ano. Era filho do quarto Conde da Atalaia D. Luiz Manoel de Távora e
de D. Francisca Leonor de Mendonça. Foi eleito Patriarca de Lisboa
em 1754. e só voltou para a Atalaia para passar a última parte da
sua vida com sua sobrinha, D. Constança Manuel, marquesa de Tancos,
que na data do seu falecimento (1758) já herdara a Casa da Atalaia.
Ficou a dever a sua sobrinha, a sua sumptuosa sepultura no lugar mais
nobre da Igreja Matriz do seu senhorio, isto é, na parede do lado do
Evangelho. Actualmente o seu túmulo encontra-se sob o altar-mor.
Foram o Cardeal Patriarca e o Marquês de Tancos Provedores
alternativos da Casa de Misericórdia (1588), que tinha um hospital
anexo para os caminheiros e uma Casa para todos os religiosos que
iam de passagem e que ali quisessem pernoitar, e que se encontra
face ao palácio.
Tendo sido uma casa brasonada, um dos brasões foi entregue a D.
Duarte de Atalaya por volta de 1935, outro poder-se-á ver incrustado
numa das paredes da junta de Freguesia da Atalaia, e outro ainda,
pertença de um particular, que foi possível admirar no Museu
Arqueológico de Vila Nova da Barquinha.
A Casa do Patriarca está inserida numa região privilegiada em
belezas naturais e arquitectónicas, ou não se desse o caso de
pertencer a uma zona templária, onde as demarcações dos terrenos
eram feitas com marcos onde a cruz templária estava esculpida.
Lenda ou não, a única referência templária nesta vila, é uma mina
que se encontra entre a Igreja Matriz da Atalaia e a Capela do
Senhor Jesus da Ajuda, mais propriamente no alto do Picoto onde se
julga ter existido a torre templária da Atalaia e que se diz estar
ligada a Tomar (ao convento) e ao Castelo de Almourol. No entanto, e
porque esta vila não é destituída de misticismo, por opção, aqui
viveu durante alguns anos e aqui foi sepultado em 1997 um Grão
Mestre da Ordem do Templo, que dedicou a sua vida ao ideal
templário.
Elaborado por Casa do Patriarca
Atalaia-1998 |